Eram mais de dez horas da noite. Giulia (sentada lendo as propostas de criação para seu cliente) não costumava receber pessoas a está hora no escritório, mas o trabalho de criação nunca tinha hora para terminar.
O cliente vinha dos Estados Unidos e ela não o conhecia pessoalmente, apenas por telefone, Jeremy era seu nome.
Ela estava sozinha e cansada. Quando finalmente alguém bate na porta.
- Ela abre e um homem alto, cabelos longos, e presos como um rabo de cavalo e os olhos que pareciam duas labaredas de fogo, olham para o rosto de Giulia e para todo o escritório!
- Desculpe a demora Giulia!
Sua voz era suave e calma. Giulia tentou responder no mesmo tom mas o sorriso daquele homem era encantador, os dentes perfeitos e brancos como se fosse um recém nascido, e ele segurava nas mãos de Giulia tão carinhosamente e eram tão macias que não pareciam ser de um homem! Ele olhava para Giulia como se estivesse procurando algo em seu pescoço!
Usando de toda a delicadeza o visitante disse... - Não vai me convidar para entrar?
Claro!! - Ela dizia olhando para os papéis e torcendo para que ele também olhasse e desviasse a atenção sobre ela.
Ele ficou olhando para os papéis junto com ela mas, logo em seguida, ele tornava a olhar para seu rosto!
- Você é admirável!
- Obrigada mas... sobre o projeto...
O telefone toca e Giulia quase que derruba o telefone no chão de tanta euforia! - Alô . alô?
- Giulia, sou eu, Jeremy!
Ela muda de cor e fica pálida. O homem olhava o projeto e perguntava se foi ela que fez...
- Sim fui eu mesma eu e minha equipe!
No outro lado da linha Jeremy falava com ela...
- Quando poderemos nos encontrar novamente?
O homem que estava olhando a mesa de Giulia viu o telefone ... aquele aparelho moderno onde os números das chamadas são registradas e tem o nome de quem liga! Para a sua surpresa o nome que estava em cima do número era Jeremy!
- Quarta-feira pra mim esta ótimo! Esta ok pra você?
O sinal havia caído!
Ela teve apenas uma fração de segundos para ver que aquele homem havia desligado o telefone e estava quase aguardando o pescoço da Guilia.
Desviando daquelas mãos que outrora eram macias ela corre pelo escritório tentando escapar.
Então aquela montanha segura o braço da Giulia e ela não tem outra saída se não, revidar!
Agarrando o pescoço dele ela levanta aquele homem a meio metro do chão, Ele agarra a mão dela tentando se libertar! Ela sorri!
- Quem enviou você?
- A igreja... eles me pagaram pra isso!
O falso Jeremy retira uma estaca do seu sobretudo e Giulia segura o braço do Caçador com a outra mão.
- Não foi rápido demais, Jeremy!
Chegando perto da janela o homem fica louco e implora por clemência!
- Por favor moça estou apenas trabalhando... é o meu trabalho!
- Giulia empurra o homem para fora do prédio e segurando, com apenas uma mão, ela diz!
- O meu também!
Giulia solta o homem e enquanto ele grita, esperando pelo seu fim, ela olha para a lua...
...e sorri!
- Postado por: Daniel Guima às 14h05
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A Bruxa
Cristina era uma socióloga respeitada. Especializou-se no estudo da época da inquisição, quando, sob o manto da igreja, pessoas eram queimadas sob acusação de bruxaria. Através de suas pesquisas concluiu que, na maioria das vezes a perseguição era política, os acusados nunca haviam se envolvido com satanismo. Alguns casos pareciam típicos de doentes mentais, que mais deveriam ir para o sanatório que para fogueira.
Um caso, contudo, chamou-lhe a atenção: Catarina, uma mulher do século XVII, queimada num povoado do interior, conhecida como a maior das feiticeiras. As lendas que dela se contavam perduravam até os dias atuais, sobre seu poder e maldade. Morrera queimada, jurando vingança.
Cristina viajara para a cidade que se desenvolvera perto do antigo povoado onde a bruxa teve seu fim. Verificou que ,apesar dos séculos, as pessoas conheciam histórias sobre ela, havendo inclusive aqueles que jurassem ter visto reunião de demônios comandados por Catarina em um vale próximo. Cristina ia assim juntando material para uma nova tese, sobre o imaginário popular.
Algumas coincidências, porém, logo chamaram-lhe a atenção. De tempos em tempos sumiam crianças na região, que nunca eram encontradas. Assim como começavam, os desaparecimentos terminavam. Catarina era considerada culpada, mesmo séculos após ter morrido. O fato é que nunca qualquer pista foi encontrada. Justamente após sua chegada na cidade, crianças começam a sumir, sem deixar vestígios. Havia mais de cinqüenta anos que aquilo não acontecia, portanto não poderia ser a mesma pessoa. Três garotos estavam desaparecidos. Não havia pista alguma, uma testemunha que fosse.
Cristina envolveu-se com as investigações. Sentia que, se desvenda-se aquele crime, poderia explicar a estranha influência que aquela lenda exercia sobre a população daquele lugar.
Passado algumas semanas nada de novo havia sido descoberto. Das outras crianças não mais foram vistas. O delegado local pensava até em pedir ajuda federal. Cristina não dormia direito, procurando, pela lógica, encontrar uma solução.
Um dia a socióloga aparece na delegacia. Não havia dormido a noite anterior. Apesar de cientista tinha uma intuição. Visivelmente alterada, pediu ao delegado que a acompanhasse com alguns policiais. Foram ao local onde, pelos relatos que descobrira, Catarina havia cumprido pena. Era um pequeno vale. Movida por uma força estranha, Cristina, com as mãos escava o sopé de um morro próximo. A terra estava fofa. Os pequenos ossos não demoraram a aparecer.
Ao ver tudo aquilo, o rosto de Cristina se transformou. À vista incrédula dos policiais, ela começava a gritar palavras incompreensíveis. Era como se duas almas lutassem por um só corpo. Suas feições iam, aos poucos, se transformando. Ela despiu-se até que, completamente nua começou a dançar freneticamente, num ritmo cada vez mais rápido, começou a levitar. De seus olhos, emanava o próprio mal. Cristina havia sacrificado aquelas crianças. Sem saber, seu corpo fora apossado por Catarina, que assim executava a sua vingança.
- Postado por: Daniel Guima às 14h01
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